Esta era particularmente uma noite fria. Não havia a presença daquele velho vento gelado, que faz estremecer o corpo, mas o frio era intenso mesmo assim. Uma quinta feira mais calma do que as outras. Eu saí de casa em torno das 23h30 para pegar o ônibus que passava por lá em direção ao centro, e ele passaria por ali 23h40. Eu iria até o centro para a casa de um amigo, para posteriormente irmos a um bar tomar algumas cervejas e pensar na vida.
Obviamente o ônibus se atrasou, e eu excedi em 15 minutos minha espera. Não, não estava com pressa. Tanto fazia quanto tempo demorasse o ônibus, mas durante essa espera algo incrível aconteceu. Houve um hiato de 2 ou 3 minutos nessa espera em que nenhum carro apareceu em toda a extensão da avenida. Nenhum. Não havia, também, pessoas andando. Eu estava plenamente sozinho, e como não havia vento, ouvia minha própria respiração, calma, mas tensa por causa do frio. Eu olhava para a esquerda de onde viria meu ônibus, esperando que ele finalmente aparecesse lá longe, quando, subitamente, uma luz cruza o céu num sentido perpendicular a avenida, logo acima desse horizonte. Oscilante em sua trajetória, veio de um lado onde não haviam prédios, e assim que cruzou, saiu da minha vista por passar atrás de um prédio comercial, e, dado o sentido que ela iria, eu jamais a veria de novo.
Mas, pelos céus e os sete mares, O QUE ERA AQUELA LUZ?!
Ela estava muito intensa, lenta, e próxima para ser apenas uma estrela cadente. Sem contar que ela não seguia uma trajetória segura, e reta, e sim oscilante, quase ziguezagueante. Também não há a menor chance de ter sido um fogo de artifício. Era plenamente silenciosa, de brilho homogêneo, e desta vez alta demais para ter sido lançada daqui.
Mas então, o que era aquilo? Ela não foi apenas acompanhada com o canto do meu olhar, porque assim que a percebi dediquei total atenção a ela.
Sim, Ó meus amigos, vocês sabem o que eu vou dizer e podem rir o que quiserem. Mas eu tenho a mais absoluta certeza de que presenciei a rápida e, sim, indiscreta, passagem de um OVNI. Não só esta é a única explicação racional para o fenômeno, quanto eu juro que senti uma presença, mesmo que lá distante. Sim, riam, e me chamem de louco sonhador, mas eu sei o que vi. E não ficaria surpreso se eles não estivessem tentando se comunicar comigo. Aquele era o momento. Eu não estava bêbado, não estava chapado, estava plenamente sozinho e ainda estava mais atento que de comum, como qualquer pessoa que se aventure pela cidade sozinha de noite. Sem contar o fato que havia recém completado uma semana que eu escrevera o texto anterior, convocando a todos a olharem para o céu.
Devaneio? Loucura? Narcisismo? Paranóia?
E se eles sabem o que eu estive pensando? Tudo o que penso sobre a tendência de homogeneização que a sociedade tem, e a tentativa de criação e individuação por que todos deveriam passar, mas são compelidos a seguir o rebanho? E se eles sabem que eu usei recentemente a metáfora de um céu como orientação ao invés da publicidade e das vicissitudes do capitalismo e da compulsão a compra e o desprezo pelos que não seguem esse modelo? E se eles sabem o que eu penso, o que estive desenvolvendo de pensamentos e conflitos, e quiseram mandar um sinal? Alguma mensagem positiva como “continue assim” ou “veja, você está no caminho certo” e seguindo por esse rumo cada vez mais vou ser surpreendido pelo novo, diferente, e inacreditável?
E se eles estão tentando guiar esse meu caminho rumo a uma mente mais aberta, expandida e capaz de pensar por si mesma?
Sim, meus amigos, riam. Mas eu quase acredito nisso.
Quase.
Porque aquela pulguinha atrás da orelha diz que pode ter sido apenas o acaso, um engano meu. Talvez fosse mesmo uma estrela cadente. Ou um fogo de artificio. De qualquer jeito, isso não importa. Não importa porque eu não vou basear o resto da minha vida numa mera visão duvidosa, embora deslumbrante. Eu vou seguir meu caminho, como se essa mensagem não existisse. Fazer o que eu faria mesmo sem essa mensagem. Em resumo, não faz a menor diferença nesse sentido.
Mas, fiquem assombrados com essa.
Pouco menos de meia hora depois de presenciar essa linda cena, ainda assustado e tentando dar algum significado ou explicação para ela, eu fui atingido como uma pobre pessoa atropelada por um trem bala, por uma idéia genial.
Sim, pouco tempo depois, absolutamente saída do nada, me veio uma idéia estonteantemente brilhante.
E assim, aqui vai meu agradecimento aos amigos me mandaram o sinal lá de cima. Obrigado por essa idéia. Porque eu sei que eu jamais teria tamanha genialidade para pensar no pensamento que me cruzou nem em um milhão de anos de filosofia. Eu sei, que vocês plantaram essa idéia na minha cabeça, e eu estou agradecido.
Valeu galera.
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